segunda-feira, 2 de maio de 2016

A PODEROSA!


Por trás de todo homem existe uma mulher ou uma criança, capaz de chorar e também gerar alegria. Foi assim que me senti assistindo o programa de Ana Maria Braga do dia 28 de maio de 2016. O respeitado leitor deve estar achando inusitado o fato de este colunista iniciar a sua crônica baseado num tema que, flagrantemente, destoa dos seus registros. Mas vamos aos fatos que me levaram descrever os acontecimentos que seguem. Lá em Curitiba, a capital do Paraná, uma professora do ensino infantil, na tentativa de dar uma repaginada no visual de um companheiro com mais de 10 anos de convívio e com o qual mantém um filho, durante todo o tempo ambos morando em casas separadas, resolveu apelar para a cumplicidade de amigos. No entanto, houve vazamento do plano e, ao mesmo tempo, um desentendimento entre eles que parece ser definitivo.

A Globo, de posse dessa historia, criou um quadro dentro do programa da Ana Maria Braga que, aqui, vamos chamar ‘A Poderosa’. Foram quatro as pessoas incumbidas de inverter o projeto inicial que agora tem como objeto principal não mais o companheiro, mas sim a própria professora: uma dermatologista, um cabeleireiro, um maquiador e uma consultora de moda. Eles começaram forjando um passeio tendo por propósito melhorar o astral da professora que estava bastante deprimida com o desenrolar dos episódios. Porém, no meio do caminho revelaram que a finalidade do excursionismo era outra: recuperá-la como pessoa por dentro e por fora. Transformando aquela apatia em esfuziante alegria. Naquele momento oportuno e na medida em que o quadro foi tomando vulto eu, que estava na cozinha preparando o almoço, comecei a me envolver com a trama e, a cada parada da rede para inserir o espaço dedicado a programação e a propaganda, ensaiava, ao bel-prazer digno dos aposentados, aquela saidinha obrigatória para tomar banho de sol e jogar conversa fora. Entretanto, não completava o intento e retornava para a frente da TV, envolvido que estava por aquela atmosfera que absorvia toda a minha atenção.

Refeita do clima, depois que impuseram todo esse processo de revigoramento no astral da professora, materializando uma relação entre o corpo físico e o espírito, passaram para o deslumbramento da sua alma. Naquele momento, diante do êxtase proporcionado pela exuberância estonteante da natureza que se descortinava a sua frente (feche os olhos, veja o verde da mata, sinta a tranquilidade de uma cachoeira e o som reconfortante de pássaros cantando), as perguntas mais eloquentes choveram, tais como se fossem pétalas de flores jogadas ao vento: Você já teve um momento totalmente só seu? Você é feliz? Você sabe o que é felicidade? Ali Estava sendo criado o campo ideal para repassar a ela a ideia de que a energia desperdiçada de tanto se doar como pessoa acaba por esquecer de si própria. Nesse andamento nos descobrirmos capazes de mudanças comportamentais adequadas a dar um novo sentido à vida, fazendo com que um novo Alberto, ou o Beto da professorinha, possa ressurgir para produzir as alterações benéficas nos relacionamentos.

Que tal abraçarmos esse quadro televisivo adequando-o ao nosso cotidiano, de tal forma que aquele quarteto citado lá atrás pudesse reproduzir, na prática, esse repaginamento visual, essa energia boa, como se fossem os anseios de uma população ciosa por políticos bem intencionados? Lá o Alberto não entendeu, mas aqui as opções se fragmentam e, usando a razão, e somente a razão, podemos decidir pelo melhor, pois, depois de tomada a decisão, não mais existe ambiente para arrependimento. Sim! No encerramento do quadro uma cantora mirim do The “voice kids”, tendo por companhia os alunos da professorinha, surpreendeu a todos com uma comovente canção que a levou aos prantos. Considerando que os brutos também amam, e com um clima tão apaixonante, acabei fraquejando e tive de acompanhá-la.


Santo Tito: Bancário Aposentado