segunda-feira, 18 de abril de 2016

"QUEM VENDE O VOTO, VENDE A ALMA"


Impressiona a elasticidade, a volatilidade, os movimentos acrobáticos de que se utilizam alguns de candidatos para se manter no topo do poder. Assim como acontece no Planalto Central aqui embaixo não é muito diferente. Não vamos dar nome aos bois (recriando a forma mais chula como alguns midiáticos gostariam que eu escrevesse), mas a maneira pela qual eles conseguem navegar na busca de seus próprios interesses (fisiologismo), excluindo qualquer empenho pelos problemas do eleitor, é algo que preocupa bastante.

Quando temos um candidato com foco naquilo que pode transformar os anseios da sociedade em realidade é normal que a filiação em partido político sirva apenas como cumprimento da legislação, já que a Lei brasileira não permite candidaturas avulsas. O importante é que ele tenha um programa de governo que esteja em consonância com as necessidades do eleitorado, desenvolva uma campanha espelhando-se nele e que não se deixe envolver pelo clientelismo. Não se pode fragilizar a verdade quando os temas dizem respeito à cidadania. A política, como atividade fundamental para a presença cidadã, não deve e não pode fugir à publicidade dos atos de seus atores.

Assim deve ser. No mundo contemporâneo cada pessoa deve formar sua convicção e agir de acordo com sua consciência. É a conseqüência inevitável da exigida publicidade de todos os atos de interesse da coletividade. Também de importância vital é o eleitor procurar conhecer o perfil dos candidatos. Não se deixar levar pelas aparências. O eleitor, cidadão ativo, deve se inteirar da fisionomia verdadeira das personagens presentes na arena. Não podem estas ser glamourizadas por técnicas para embalsamar cadáveres. Devem se apresentar com veracidade. Não mentir. Não falsear a imagem. Modos e gestos. Cada um deve assumir sua real personalidade. Não pode o candidato carente de humor ou de pouca empatia popular surgir como um gentil-homem. Ou uma mulher, passada nos anos, tornar-se uma donzela em flor. Isto acontece, no entanto, nas campanhas brasileiras. Os candidatos são engolfados pelos marqueteiros e estes são capazes de tornar um malfeitor em santo de excelsas virtudes.

Agora é bom pensar que há trinta anos passados São Paulo do Potengi tinha uns dois ou três formados em educação superior. Hoje para chegarmos a esse número nós precisaríamos de um pouco de contorcionismo estatístico. Considerando a realidade atual, tornar-se-ia bastante compreensível a dificuldade que os mercadores de consciência teriam para atingir seus objetivos com as mesmas facilidades de outrora, isto é, as pessoas deixam de agir por impulso na medida em que melhora o seu nível cultural.

Hoje temos pré-candidatos para todos os gostos: temos o pré-candidato oportunista; tem aquele pré-candidato que transforma o eleitor em mercadoria; tem o pré-candidato da cidadania; ainda tem o pré-candidato da honestidade a qualquer preço. Como também tem eleitor para todo tipo de pretendente, vai ficar muito fácil formular uma configuração para o seu perfil, dando a futuros concorrentes uma visão clara de como ele, eleitor, quer ou gosta de ser tratado.

Santo Tito: Bancário Aposentado