sexta-feira, 22 de abril de 2016

EVOLUÇÃO DO NÍVEL CULTURAL DO CANDIDATO


A história contemporânea de São Paulo do Potengi nos mostra a evolução cidadã do eleitor. Ele está mais seletivo, mais exigente, mais resistente às pressões mercadológicas sobre comercialização da consciência.

Iniciamos a nossa a nossa apreciação sobre o tema a partir do momento em que foi eleito um latifundiário para o comando do território. Aqueles tempos eram outros e os depositários do voto também. Logo após uma mulher, dizem que com o apoio da paróquia, veio a ocupar o trono municipal. Um estilo totalmente diferente de administrar foi implantado, mas também por pouco tempo, pois logo a seguir tivemos o retorno dos agropecuaristas, dois na sequencia, um após o outro. Foi num período em que o prestigio político era protegido por propriedades rurais e recursos financeiros. Mas ai acendeu uma luzinha e indicaram um professor para dar continuidade a administração pública do município. Logo após, um bancário. Bem, nesse troca-troca lá se foram 24 anos.

Acontece que nesse ínterim o pais passou por drásticas mudanças na oferta educacional. A partir das duas últimas décadas, observou-se redução significativa do analfabetismo e universalização do ensino fundamental. Considera-se o ano de 2005 o ponto central de análise para a evolução do acesso ao ensino superior e a inclusão dos jovens das classes mais baixas, devendo-se isso à implementação dos programas federais voltados para este fim, com destaque ao Prouni, principal programa de democratização da escolaridade inserido na estratégia federal do Ministério da Educação, que concede bolsas de estudo integrais e parciais de 50% nas instituições privadas de educação superior, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, a estudantes brasileiros sem diploma de nível superior.

Atualmente dois bancários, um técnico agrícola, dois professores e dois doutores fazem parte dos principais concorrentes ao governo desta comuna. Vejam que, consolidado pelo Ministério da Educação, o nível cultural dos postulantes, em relação ao passado, teve um incremento incomensurável nesse meio tempo.

Considerando os avanços nos sistemas de comunicação e monitoramento que atingiu a burocracia atual, é imprescindível que os gestores passem por reciclagem e também adquiram um mínimo de conhecimento para poderem se adequar aos progressos tecnológicos atinentes ao cargo. Mas esse avanço não diz respeito somente a esses pretendentes ao posto máximo. O eleitor também faz parte do mesmo grupamento, pois o progresso cultural é extensivo a todo a população, e, com isso, o representado também se torna mais critico, inflexível, rígido. Olhando para os nomes envolvidos na atual disputa eleitoral observamos que os postulantes são detentores de pouco ou nenhum recurso econômico/financeiro. Mas eles sabem que os elementos essenciais para uma boa contenda são, no mínimo: sua atuação social; a sua biografia; o seu relacionamento; o seu envolvimento com coisas que digam respeito aos munícipes; o seu nível cultural; a sua postura política, todos dados ligado ao próprio personagem. E, para reforçar esse embasamento teórico, e só olhar na linha do tempo e verificar que o processo sob análise esta em perfeita sintonia com o que acontece na prática. Observem que em nossa província, por duas vezes, o projeto de reeleição foi truncado, já objeto dessa mudança de comportamento baseado no aumento do nível cultural do sufragista, o que propicia uma visão do desenho que ele, o eleitor, projetou para o seu quadro político. E o desfecho para o momento atual tende a reeditar uma situação idêntica.

Santo Tito: Bancário Aposentado