sexta-feira, 5 de julho de 2013

EMPRESAS DE MULTINÍVEL CIDIZ SERÁ INVESTIGADA PELA POLÍCIA

MP do RN instaura inquérito civil para investigar empresa multinível Cidiz

Decisão foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado desta sexta (5).
'Nosso modelo é economicamente sustentável', diz diretor da empresa.

Do G1 RN
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O Ministério Público do Rio Grande do Norte instaurou um inquérito civil para investigar se a empresa de marketing multinível Cidiz, com sede em Recife, está atuando como pirâmide financeira – modelo comercial previsivelmente não-sustentável que depende basicamente do recrutamento progressivo de outras pessoas. A instauração da investigação foi publicada na edição desta sexta-feira (5) do Diário Oficial do Estado e é assinada pelo promotor Alexandre da Cunha Lima, da Promotoria de Defesa do Consumidor da comarca de Natal.

A Cidiz informa que adotou o sistema de vendas diretas por modelo multinível para atuar no mercado de moda, onde comercializa peças de vestuário, calçados e acessórios. Para o sócio-diretor da empresa, Tiago Hurtado, é preciso diferenciar a Cidiz de empresas que geram rendimentos sem a venda de produtos. "Para o colaborador ganhar, ele tem de vender o produto e gerar resultado para a empresa. Isso comprova que o modelo de negócio é economicamente sustentável", ressalta.
Hurtado acrescenta que a Cidiz contratou uma assessoria jurídica antes de entrar em funcionamento e o modelo de negócio foi aprovado. De acordo com o sócio-diretor, a empresa também passou por um comitê de ética para integrar a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), formada por empresas como Herbalife e Natura, que também utilizam o marketing multinível para vender produtos.
Em relação ao inquérito, o sócio-diretor se diz tranquilo. "Nos colocamos à disposição e entendemos que é normal. Mas entendemos também que as pirâmides que estão surgindo e se intitulando como marketing multinível precisam ser separadas de uma empresa séria que entrou no bolo", conclui Hurtado.
O inquérito

Para a instauração do inquérito, de acordo com a publicação, o promotor Alexandre da Cunha Lima levou em consideração “a necessidade de instaurar procedimento administrativo com o escopo de averiguar se a empresa ora investigada está funcionando de forma regular, já que inúmeras pessoas têm entrado no sistema objetivando ganhos financeiros incompatíveis com a realidade do país,  algumas fazendo empréstimos e desfazendo-se de bens  com o desígnio de  ser um divulgador da empresa”.
Existem cálculos elaborados informando que a grande maioria dos investidores ou divulgadores da empresa ficam no prejuízo"
Alexandre da Cunha Lima,
promotor de Defesa do Consumior
Ainda segundo o promotor, a investigada diz ser uma empresa de marketing multinível, apresentando produtos relacionados a venda de vestuários e acessórios. Contudo, “existe a possibilidade de o serviço ou produto ofertado ter por objetivo falsar os objetivos da empresa ou, ainda,  a possibilidade da  insustentabilidade do negócio resultar na transmudação da empresa para uma pirâmide financeira”, ressalta.
“Conforme é sabido, as pirâmides financeiras consistem em uma manobra não sustentável que paga valores a pessoas pelo recrutamento de outras pessoas para o esquema, fazendo uso, em alguns casos, de oferta secundária de produtos ou serviços  para falsear a atividade de captação de recursos financeiros”, acrescenta Alexandre da Cunha Lima.
Por fim, o promotor destaca que, “na hipótese de ficar caracterizado pirâmide, existem cálculos elaborados informando que a grande maioria dos investidores ou divulgadores da empresa ficam no prejuízo, sobretudo no período em que há uma forte diminuição  de novos participantes do sistema, fazendo a pirâmide ruir”.